Minotauro
Na
mitologia grega, o
Minotauro (em
grego: Μῑνώταυρος; em
latim:
Minotaurus; em
etrusco:
Θevrumineś), era segundo sua representação mais tradicional entre os
gregos antigos, uma criatura imaginada com a cabeça de um
touro sobre o corpo de um
homem[1] O autor
romano Ovídio descreveu-o simplesmente como
"parte homem e parte touro."[2] Habitava o centro do
Labirinto, uma elaborada construção
[3] erguida para o rei
Minos de
Creta, e projetada pelo arquiteto
Dédalo e seu filho,
Ícaro especificamente para abrigar a criatura. O sítio histórico de
Cnossos, com mais de 1300 compartimentos semelhantes a labirintos,
[4] já foi identificado como o local do labirinto do Minotauro, embora não existam provas contundentes que confirmem ou desmintam tal especulação. No mito, o Minotauro eventualmente morre pelas mãos do
heroi ateniense Teseu.
O termo
Minotauro vem do
grego antigo Μῑνώταυρος, composto
etimologicamente pelo nome Μίνως (
Minos) e o substantivo ταύρος ("touro"), e pode ser traduzido como "
(o) Touro de Minos". Em Creta, o Minotauro era conhecido por seu nome próprio,
Astérion,
[5] um nome que ele compartilhava com o pai adotivo de Minos.
[6]
Minotauro, originalmente, era apenas utilizado como
nome próprio, referindo-se a esta figura mítica. O uso de
minotauro como um substantivo comum que designa os membros de uma raça fictícia e genérica de criaturas antropogênicas com cabeças de touro surgiu bem posteriormente, no gênero de ficção fantástica do
século XX.
[editar] Nascimento e aparência
Após assumir o trono de
Creta,
Minos passou a combater seus irmãos pelo
direito de governar a ilha. Rogou então ao
deus do
mar,
Poseídon que lhe enviasse um
touro branco como a neve, como um sinal de aprovação ao seu reinado. Uma vez com o touro, Minos deveria
sacrificar o touro em homenagem ao deus, porém decidiu mantê-lo devido a sua imensa beleza. Como forma de punir Minos, a deusa
Afrodite fez com que
Pasífae, mulher de Minos, se apaixonasse perdidamente pelo touro vindo do mar o
Touro Cretense.
[7] Pasífae pediu então ao arquetípico artesão
Dédalo que lhe construísse uma
vaca de
madeira na qual ela pudesse se esconder no interior, de modo a
copular com o touro branco. O filho deste cruzamento foi o monstruoso Minotauro. Parsífae cuidou dele durante sua infância, porém eventualmente ele cresceu e se tornou feroz; sendo fruto de uma união não-natural, entre homem e animal selvagem, ele não tinha qualquer fonte natural de alimento, e precisava devorar homens para sobreviver. Minos, após aconselhar-se com o
oráculo em
Delfos, pediu a Dédalo que lhe construísse um gigantesco
labirinto para abrigar a criatura, localizado próximo ao palácio do próprio Minos, em
Cnossos.
Em nenhum lugar a essência do mito foi expressa de maneira mais sucinta que nas
Heróidas, atribuídas a
Ovídio, em que a filha de Pasífae reclama da maldição de seu amor não-correspondido: "Zeus amou Europa, como um touro, escondendo sua cabeça divina - ela deu origem ao nosso povo. Um fardo e uma punição nasceram do útero de minha mãe, Pasífae, montada por touro que ela enganou."
[8] Leituras mais literais e prurientes, que enfatizam o mecanismo envolvendo a cópula em si podem, talvez de maneira intencional, obscurescer o
casamento místico do deus na forma de touro, um
mythos minóica que era estranho aos gregos.
[9]
O Minotauro costuma ser representado na arte
clássica com o corpo de um homem, e a cabeça e rabo de um touro. Uma das formas assumidas pelo
deus rio Aqueloo ao cortejar
Dejanira é a de um homem com uma cabeça de touro, de acordo com a
peça teatral Traquínias, de
Sófocles.
Dos períodos clássicos até o
Renascimento, o Minotauro aparece como tema de diversas descrições do Labirinto.
[10] O relato do autor
romano Ovídio sobre o Minotauro, em
latim, que não elabora sobre qual metade da criatura era touro e qual era homem, foi a mais difundida durante a
Idade Média, e diversas ilustrações feitas no período e depois mostram o Minotauro com uma configuração inversa em relação à sua aparência clássica: uma cabeça e torso de homem sobre um corpo de um touro, semelhante a um
centauro.
[11] Esta tradição alternativa durou até o Renascimento, e ainda figura em versões modernas do mito, como as ilustrações de
Steele Savage feitas para
Mythology, de
Edith Hamilton (1942).
[editar] Tributo e Teseu
Rhyton com a forma de uma cabeça de touro, no pavilhão grego da
Expo '88.
Androgeu, filho de Minos, foi morto pelos
atenienses, invejosos das vitórias obtidas por ele nos
Jogos Panatenaicos. Já outra versão do mito afirma que Androgeu teria morrido em
Maratona, atacado pelo
Touro Cretense, o ex-amante taurino de sua mãe, que
Egeu, rei de Atenas, tinha ordenado que ele matasse. A tradição mais comum conta que Minos teria então declarado guerra a Atenas para vingar a morte de seu filho, e saiu vitorioso do confronto.
Catulo, em seu relato do nascimento do Minotauro,
[12] se refere a outra versão do mito, na qual Atenas teria sido "obrigada pela
praga cruel a pagar compensação pela morte de Androgeu." Egeu deve então evitar a praga causada por seu crime enviando "jovens rapazes, bem como as melhores garotas solteiras, para um banquete" do Minotauro. Minos exigia que pelo menos sete rapazes e sete donzelas atenienses, escolhidos através de sorteio, lhe fossem enviados a cada nove anos (ou, segundo alguns relatos, anualmente
[13]) para ser devorado pelo Minotauro.
Quando se aproximava a data do envio do terceiro sacrifício o jovem príncipe
Teseu se ofereceu para assassinar o monstro, prometendo a seu pai, Egeu, que ordenaria que o navio que o trouxesse de volta para casa erguesse
velas brancas, caso ele tivesse sido bem-sucedido na empreitada, ou velas negras, caso ele tivesse morrido. Em Creta,
Ariadne, filha de Minos, se apaixona por Teseu e o ajuda a se deslocar pelo labirinto, que tinha um único caminho que levava até seu centro. Na maior parte dos relatos Ariadne dá a ele um
novelo, que ele utiliza para marcar seu caminho de modo que ele possa retornar por ele. Teseu então mata o Minotauro com a
espada de Egeu, e lidera os outros atenienses para fora do labirinto. Na viagem de volta, no entanto, ele se esquece de erguer as velas brancas e seu pai, ao ver o navio e imaginar que Teseu estava morto, se suicida, arremessando-se no
mar que desde então leva seu nome.
[14]
A visão essencialmente ateniense do Minotauro como antagonista de Teseu reflete as fontes literárias, que são parciais às perspectivas atenienses. Os
etruscos, que consideravam Ariadne companheira de
Dioniso, e não de Teseu, apresentavam um ponto de vista diferente do Minotauro, nunca visto na arte grega: numa taça de vinho etrusca feita em
figura vermelha da primeira metade do
século IV a.C., Pasífae apoia de maneira terna o Minotauro criança em seu colo.
[15]
[editar] Interpretações
A luta entre Teseu e o Minotauro foi representada com frequência na
arte grega. Um
didracma de Cnossos exibe num lado o labirinto, e no outro o Minotauro cercado por um semicírculo de pequenas bolas, provavelmente representando
estrelas; um dos nomes do monstro era
Astérion, "estrela" em grego antigo.
As ruínas do palácio de Minos, em Cnossos, foram descobertas, porém nenhum labirinto foi encontrado ali. O número enorme de aposentos, escadas e corredores do palácio fez com que alguns arqueólogos sugerissem que o próprio palácio teria sido a fonte do mito do labirinto, uma ideia que geralmente é desacreditada nos dias de hoje.
[16] Homero, descrevendo o
escudo de Aquiles, comentou que o labirinto seria um recinto para as danças cerimoniais de Ariadne.
Alguns mitólogos modernos vêem o Minotauro como uma personificação
solar, uma adaptação
minoica do
Baal-
Moloch dos
fenícios. A morte do Minotauro por Teseu, neste caso, indicaria o rompimento das relações tributárias de Atenas com a
Creta minoica.
De acordo com o estudioso
britânico A. B. Cook,
Minos e o
Minotauro são apenas duas formas diferentes do mesmo personagem, que representa o
deus-sol dos cretenses, que retratavam o sol na forma de um touro. Tanto Cook quanto o
antropólogo escocês J. G. Frazer explicaram a união de Pasífae com um touro como uma cerimônia sagrada, na qual a rainha de Cnossos se casava com um deus em forma de touro, da mesma maneira que a esposa do
Tirano em Atenas havia se casado com Dioniso. O arqueólogo
francês Edmond Pottier, que não discute a existência histórica de Minos, a partir da história de
Fálaris, considera provável que em Creta (onde pode ter existido um culto aos touros, juntamente com o do
labrys) uma forma de tortura era trancar as vítimas dentro da barriga de um
touro de bronze incandescente. A história de
Talo, o homem de
bronze cretense, que se deixava em braza e abraçava os estrangeiros assim que eles pisavam na ilha, provavelmente teria origem semelhante.
Uma explicação histórica do mito se refere ao período em que Creta era a principal potência política e cultural do mar Egeu. À medida que a cidade de Atenas (e provavelmente outras cidades gregas continentais) pagavam tributo a Creta, pode-se assumir que este tributo incluía jovens de ambos os sexos, destinados ao
sacrifício ritual. A cerimônia era executada por um sacerdote que utilizava uma máscara ou cabeça de touro, o que explicaria então o imaginário relacionado ao Minotauro. Este sacerdote também poderia ser filho de Minos.
Com a Grécia continental livre do domínio cretense, o mito do Minotauro teve como papel distanciar a incipiente consciência religiosa das
poleis helenas das crenças minoicas.
[editar] O Minotauro no Inferno de Dante
O Minotauro, a
infamia di Creti, aparece brevemente no
Inferno de
Dante, em seu canto 12, 11-15, onde, abrindo caminho entre rochedos espalhados por uma encosta, e preparando-se para entrar no Sétimo Círculo,
[18] Dante e
Virgílio, seu guia, encontraram a criatura pela primeira vez entre aqueles que foram amaldiçoados por sua natureza violenta, os "homens de sangue", embora seu nome não seja citado até o verso 25.
[19] Com a lembrança provocante, feita por Virgílio, do "
rei de Atenas", o Minotauro se ergue, enfurecido, e distrai os
centauros que guardam o
Flegetonte, "rio de sangue", permitindo assim que Virgílio e Dante passem rapidamente por eles. Esta associação pouco típica do Minotauro com os centauros, que não é feita em qualquer outra fonte clássica, é mostrada visualmente na ilustração da criatura feita por William Blake como uma espécie de centauro taurino.
Na
mitologia grega, o
Minotauro (em
grego: Μῑνώταυρος; em
latim:
Minotaurus; em
etrusco:
Θevrumineś), era segundo sua representação mais tradicional entre os
gregos antigos, uma criatura imaginada com a cabeça de um
touro sobre o corpo de um
homem[1] O autor
romano Ovídio descreveu-o simplesmente como
"parte homem e parte touro."[2] Habitava o centro do
Labirinto, uma elaborada construção
[3] erguida para o rei
Minos de
Creta, e projetada pelo arquiteto
Dédalo e seu filho,
Ícaro especificamente para abrigar a criatura. O sítio histórico de
Cnossos, com mais de 1300 compartimentos semelhantes a labirintos,
[4] já foi identificado como o local do labirinto do Minotauro, embora não existam provas contundentes que confirmem ou desmintam tal especulação. No mito, o Minotauro eventualmente morre pelas mãos do
heroi ateniense Teseu.
O termo
Minotauro vem do
grego antigo Μῑνώταυρος, composto
etimologicamente pelo nome Μίνως (
Minos) e o substantivo ταύρος ("touro"), e pode ser traduzido como "
(o) Touro de Minos". Em Creta, o Minotauro era conhecido por seu nome próprio,
Astérion,
[5] um nome que ele compartilhava com o pai adotivo de Minos.
[6]
Minotauro, originalmente, era apenas utilizado como
nome próprio, referindo-se a esta figura mítica. O uso de
minotauro como um substantivo comum que designa os membros de uma raça fictícia e genérica de criaturas antropogênicas com cabeças de touro surgiu bem posteriormente, no gênero de ficção fantástica do
século XX.
[editar] Nascimento e aparência
Após assumir o trono de
Creta,
Minos passou a combater seus irmãos pelo
direito de governar a ilha. Rogou então ao
deus do
mar,
Poseídon que lhe enviasse um
touro branco como a neve, como um sinal de aprovação ao seu reinado. Uma vez com o touro, Minos deveria
sacrificar o touro em homenagem ao deus, porém decidiu mantê-lo devido a sua imensa beleza. Como forma de punir Minos, a deusa
Afrodite fez com que
Pasífae, mulher de Minos, se apaixonasse perdidamente pelo touro vindo do mar o
Touro Cretense.
[7] Pasífae pediu então ao arquetípico artesão
Dédalo que lhe construísse uma
vaca de
madeira na qual ela pudesse se esconder no interior, de modo a
copular com o touro branco. O filho deste cruzamento foi o monstruoso Minotauro. Parsífae cuidou dele durante sua infância, porém eventualmente ele cresceu e se tornou feroz; sendo fruto de uma união não-natural, entre homem e animal selvagem, ele não tinha qualquer fonte natural de alimento, e precisava devorar homens para sobreviver. Minos, após aconselhar-se com o
oráculo em
Delfos, pediu a Dédalo que lhe construísse um gigantesco
labirinto para abrigar a criatura, localizado próximo ao palácio do próprio Minos, em
Cnossos.
Em nenhum lugar a essência do mito foi expressa de maneira mais sucinta que nas
Heróidas, atribuídas a
Ovídio, em que a filha de Pasífae reclama da maldição de seu amor não-correspondido: "Zeus amou Europa, como um touro, escondendo sua cabeça divina - ela deu origem ao nosso povo. Um fardo e uma punição nasceram do útero de minha mãe, Pasífae, montada por touro que ela enganou."
[8] Leituras mais literais e prurientes, que enfatizam o mecanismo envolvendo a cópula em si podem, talvez de maneira intencional, obscurescer o
casamento místico do deus na forma de touro, um
mythos minóica que era estranho aos gregos.
[9]
O Minotauro costuma ser representado na arte
clássica com o corpo de um homem, e a cabeça e rabo de um touro. Uma das formas assumidas pelo
deus rio Aqueloo ao cortejar
Dejanira é a de um homem com uma cabeça de touro, de acordo com a
peça teatral Traquínias, de
Sófocles.
Dos períodos clássicos até o
Renascimento, o Minotauro aparece como tema de diversas descrições do Labirinto.
[10] O relato do autor
romano Ovídio sobre o Minotauro, em
latim, que não elabora sobre qual metade da criatura era touro e qual era homem, foi a mais difundida durante a
Idade Média, e diversas ilustrações feitas no período e depois mostram o Minotauro com uma configuração inversa em relação à sua aparência clássica: uma cabeça e torso de homem sobre um corpo de um touro, semelhante a um
centauro.
[11] Esta tradição alternativa durou até o Renascimento, e ainda figura em versões modernas do mito, como as ilustrações de
Steele Savage feitas para
Mythology, de
Edith Hamilton (1942).
[editar] Tributo e Teseu
Rhyton com a forma de uma cabeça de touro, no pavilhão grego da
Expo '88.
Androgeu, filho de Minos, foi morto pelos
atenienses, invejosos das vitórias obtidas por ele nos
Jogos Panatenaicos. Já outra versão do mito afirma que Androgeu teria morrido em
Maratona, atacado pelo
Touro Cretense, o ex-amante taurino de sua mãe, que
Egeu, rei de Atenas, tinha ordenado que ele matasse. A tradição mais comum conta que Minos teria então declarado guerra a Atenas para vingar a morte de seu filho, e saiu vitorioso do confronto.
Catulo, em seu relato do nascimento do Minotauro,
[12] se refere a outra versão do mito, na qual Atenas teria sido "obrigada pela
praga cruel a pagar compensação pela morte de Androgeu." Egeu deve então evitar a praga causada por seu crime enviando "jovens rapazes, bem como as melhores garotas solteiras, para um banquete" do Minotauro. Minos exigia que pelo menos sete rapazes e sete donzelas atenienses, escolhidos através de sorteio, lhe fossem enviados a cada nove anos (ou, segundo alguns relatos, anualmente
[13]) para ser devorado pelo Minotauro.
Quando se aproximava a data do envio do terceiro sacrifício o jovem príncipe
Teseu se ofereceu para assassinar o monstro, prometendo a seu pai, Egeu, que ordenaria que o navio que o trouxesse de volta para casa erguesse
velas brancas, caso ele tivesse sido bem-sucedido na empreitada, ou velas negras, caso ele tivesse morrido. Em Creta,
Ariadne, filha de Minos, se apaixona por Teseu e o ajuda a se deslocar pelo labirinto, que tinha um único caminho que levava até seu centro. Na maior parte dos relatos Ariadne dá a ele um
novelo, que ele utiliza para marcar seu caminho de modo que ele possa retornar por ele. Teseu então mata o Minotauro com a
espada de Egeu, e lidera os outros atenienses para fora do labirinto. Na viagem de volta, no entanto, ele se esquece de erguer as velas brancas e seu pai, ao ver o navio e imaginar que Teseu estava morto, se suicida, arremessando-se no
mar que desde então leva seu nome.
[14]
A visão essencialmente ateniense do Minotauro como antagonista de Teseu reflete as fontes literárias, que são parciais às perspectivas atenienses. Os
etruscos, que consideravam Ariadne companheira de
Dioniso, e não de Teseu, apresentavam um ponto de vista diferente do Minotauro, nunca visto na arte grega: numa taça de vinho etrusca feita em
figura vermelha da primeira metade do
século IV a.C., Pasífae apoia de maneira terna o Minotauro criança em seu colo.
[15]
[editar] Interpretações
A luta entre Teseu e o Minotauro foi representada com frequência na
arte grega. Um
didracma de Cnossos exibe num lado o labirinto, e no outro o Minotauro cercado por um semicírculo de pequenas bolas, provavelmente representando
estrelas; um dos nomes do monstro era
Astérion, "estrela" em grego antigo.
As ruínas do palácio de Minos, em Cnossos, foram descobertas, porém nenhum labirinto foi encontrado ali. O número enorme de aposentos, escadas e corredores do palácio fez com que alguns arqueólogos sugerissem que o próprio palácio teria sido a fonte do mito do labirinto, uma ideia que geralmente é desacreditada nos dias de hoje.
[16] Homero, descrevendo o
escudo de Aquiles, comentou que o labirinto seria um recinto para as danças cerimoniais de Ariadne.
Alguns mitólogos modernos vêem o Minotauro como uma personificação
solar, uma adaptação
minoica do
Baal-
Moloch dos
fenícios. A morte do Minotauro por Teseu, neste caso, indicaria o rompimento das relações tributárias de Atenas com a
Creta minoica.
De acordo com o estudioso
britânico A. B. Cook,
Minos e o
Minotauro são apenas duas formas diferentes do mesmo personagem, que representa o
deus-sol dos cretenses, que retratavam o sol na forma de um touro. Tanto Cook quanto o
antropólogo escocês J. G. Frazer explicaram a união de Pasífae com um touro como uma cerimônia sagrada, na qual a rainha de Cnossos se casava com um deus em forma de touro, da mesma maneira que a esposa do
Tirano em Atenas havia se casado com Dioniso. O arqueólogo
francês Edmond Pottier, que não discute a existência histórica de Minos, a partir da história de
Fálaris, considera provável que em Creta (onde pode ter existido um culto aos touros, juntamente com o do
labrys) uma forma de tortura era trancar as vítimas dentro da barriga de um
touro de bronze incandescente. A história de
Talo, o homem de
bronze cretense, que se deixava em braza e abraçava os estrangeiros assim que eles pisavam na ilha, provavelmente teria origem semelhante.
Uma explicação histórica do mito se refere ao período em que Creta era a principal potência política e cultural do mar Egeu. À medida que a cidade de Atenas (e provavelmente outras cidades gregas continentais) pagavam tributo a Creta, pode-se assumir que este tributo incluía jovens de ambos os sexos, destinados ao
sacrifício ritual. A cerimônia era executada por um sacerdote que utilizava uma máscara ou cabeça de touro, o que explicaria então o imaginário relacionado ao Minotauro. Este sacerdote também poderia ser filho de Minos.
Com a Grécia continental livre do domínio cretense, o mito do Minotauro teve como papel distanciar a incipiente consciência religiosa das
poleis helenas das crenças minoicas.
[editar] O Minotauro no Inferno de Dante
O Minotauro, a
infamia di Creti, aparece brevemente no
Inferno de
Dante, em seu canto 12, 11-15, onde, abrindo caminho entre rochedos espalhados por uma encosta, e preparando-se para entrar no Sétimo Círculo,
[18] Dante e
Virgílio, seu guia, encontraram a criatura pela primeira vez entre aqueles que foram amaldiçoados por sua natureza violenta, os "homens de sangue", embora seu nome não seja citado até o verso 25.
[19] Com a lembrança provocante, feita por Virgílio, do "
rei de Atenas", o Minotauro se ergue, enfurecido, e distrai os
centauros que guardam o
Flegetonte, "rio de sangue", permitindo assim que Virgílio e Dante passem rapidamente por eles. Esta associação pouco típica do Minotauro com os centauros, que não é feita em qualquer outra fonte clássica, é mostrada visualmente na ilustração da criatura feita por William Blake como uma espécie de centauro taurino.
Na
mitologia grega, o
Minotauro (em
grego: Μῑνώταυρος; em
latim:
Minotaurus; em
etrusco:
Θevrumineś), era segundo sua representação mais tradicional entre os
gregos antigos, uma criatura imaginada com a cabeça de um
touro sobre o corpo de um
homem[1] O autor
romano Ovídio descreveu-o simplesmente como
"parte homem e parte touro."[2] Habitava o centro do
Labirinto, uma elaborada construção
[3] erguida para o rei
Minos de
Creta, e projetada pelo arquiteto
Dédalo e seu filho,
Ícaro especificamente para abrigar a criatura. O sítio histórico de
Cnossos, com mais de 1300 compartimentos semelhantes a labirintos,
[4] já foi identificado como o local do labirinto do Minotauro, embora não existam provas contundentes que confirmem ou desmintam tal especulação. No mito, o Minotauro eventualmente morre pelas mãos do
heroi ateniense Teseu.
O termo
Minotauro vem do
grego antigo Μῑνώταυρος, composto
etimologicamente pelo nome Μίνως (
Minos) e o substantivo ταύρος ("touro"), e pode ser traduzido como "
(o) Touro de Minos". Em Creta, o Minotauro era conhecido por seu nome próprio,
Astérion,
[5] um nome que ele compartilhava com o pai adotivo de Minos.
[6]
Minotauro, originalmente, era apenas utilizado como
nome próprio, referindo-se a esta figura mítica. O uso de
minotauro como um substantivo comum que designa os membros de uma raça fictícia e genérica de criaturas antropogênicas com cabeças de touro surgiu bem posteriormente, no gênero de ficção fantástica do
século XX.
[editar] Nascimento e aparência
Após assumir o trono de
Creta,
Minos passou a combater seus irmãos pelo
direito de governar a ilha. Rogou então ao
deus do
mar,
Poseídon que lhe enviasse um
touro branco como a neve, como um sinal de aprovação ao seu reinado. Uma vez com o touro, Minos deveria
sacrificar o touro em homenagem ao deus, porém decidiu mantê-lo devido a sua imensa beleza. Como forma de punir Minos, a deusa
Afrodite fez com que
Pasífae, mulher de Minos, se apaixonasse perdidamente pelo touro vindo do mar o
Touro Cretense.
[7] Pasífae pediu então ao arquetípico artesão
Dédalo que lhe construísse uma
vaca de
madeira na qual ela pudesse se esconder no interior, de modo a
copular com o touro branco. O filho deste cruzamento foi o monstruoso Minotauro. Parsífae cuidou dele durante sua infância, porém eventualmente ele cresceu e se tornou feroz; sendo fruto de uma união não-natural, entre homem e animal selvagem, ele não tinha qualquer fonte natural de alimento, e precisava devorar homens para sobreviver. Minos, após aconselhar-se com o
oráculo em
Delfos, pediu a Dédalo que lhe construísse um gigantesco
labirinto para abrigar a criatura, localizado próximo ao palácio do próprio Minos, em
Cnossos.
Em nenhum lugar a essência do mito foi expressa de maneira mais sucinta que nas
Heróidas, atribuídas a
Ovídio, em que a filha de Pasífae reclama da maldição de seu amor não-correspondido: "Zeus amou Europa, como um touro, escondendo sua cabeça divina - ela deu origem ao nosso povo. Um fardo e uma punição nasceram do útero de minha mãe, Pasífae, montada por touro que ela enganou."
[8] Leituras mais literais e prurientes, que enfatizam o mecanismo envolvendo a cópula em si podem, talvez de maneira intencional, obscurescer o
casamento místico do deus na forma de touro, um
mythos minóica que era estranho aos gregos.
[9]
O Minotauro costuma ser representado na arte
clássica com o corpo de um homem, e a cabeça e rabo de um touro. Uma das formas assumidas pelo
deus rio Aqueloo ao cortejar
Dejanira é a de um homem com uma cabeça de touro, de acordo com a
peça teatral Traquínias, de
Sófocles.
Dos períodos clássicos até o
Renascimento, o Minotauro aparece como tema de diversas descrições do Labirinto.
[10] O relato do autor
romano Ovídio sobre o Minotauro, em
latim, que não elabora sobre qual metade da criatura era touro e qual era homem, foi a mais difundida durante a
Idade Média, e diversas ilustrações feitas no período e depois mostram o Minotauro com uma configuração inversa em relação à sua aparência clássica: uma cabeça e torso de homem sobre um corpo de um touro, semelhante a um
centauro.
[11] Esta tradição alternativa durou até o Renascimento, e ainda figura em versões modernas do mito, como as ilustrações de
Steele Savage feitas para
Mythology, de
Edith Hamilton (1942).
[editar] Tributo e Teseu
Rhyton com a forma de uma cabeça de touro, no pavilhão grego da
Expo '88.
Androgeu, filho de Minos, foi morto pelos
atenienses, invejosos das vitórias obtidas por ele nos
Jogos Panatenaicos. Já outra versão do mito afirma que Androgeu teria morrido em
Maratona, atacado pelo
Touro Cretense, o ex-amante taurino de sua mãe, que
Egeu, rei de Atenas, tinha ordenado que ele matasse. A tradição mais comum conta que Minos teria então declarado guerra a Atenas para vingar a morte de seu filho, e saiu vitorioso do confronto.
Catulo, em seu relato do nascimento do Minotauro,
[12] se refere a outra versão do mito, na qual Atenas teria sido "obrigada pela
praga cruel a pagar compensação pela morte de Androgeu." Egeu deve então evitar a praga causada por seu crime enviando "jovens rapazes, bem como as melhores garotas solteiras, para um banquete" do Minotauro. Minos exigia que pelo menos sete rapazes e sete donzelas atenienses, escolhidos através de sorteio, lhe fossem enviados a cada nove anos (ou, segundo alguns relatos, anualmente
[13]) para ser devorado pelo Minotauro.
Quando se aproximava a data do envio do terceiro sacrifício o jovem príncipe
Teseu se ofereceu para assassinar o monstro, prometendo a seu pai, Egeu, que ordenaria que o navio que o trouxesse de volta para casa erguesse
velas brancas, caso ele tivesse sido bem-sucedido na empreitada, ou velas negras, caso ele tivesse morrido. Em Creta,
Ariadne, filha de Minos, se apaixona por Teseu e o ajuda a se deslocar pelo labirinto, que tinha um único caminho que levava até seu centro. Na maior parte dos relatos Ariadne dá a ele um
novelo, que ele utiliza para marcar seu caminho de modo que ele possa retornar por ele. Teseu então mata o Minotauro com a
espada de Egeu, e lidera os outros atenienses para fora do labirinto. Na viagem de volta, no entanto, ele se esquece de erguer as velas brancas e seu pai, ao ver o navio e imaginar que Teseu estava morto, se suicida, arremessando-se no
mar que desde então leva seu nome.
[14]
A visão essencialmente ateniense do Minotauro como antagonista de Teseu reflete as fontes literárias, que são parciais às perspectivas atenienses. Os
etruscos, que consideravam Ariadne companheira de
Dioniso, e não de Teseu, apresentavam um ponto de vista diferente do Minotauro, nunca visto na arte grega: numa taça de vinho etrusca feita em
figura vermelha da primeira metade do
século IV a.C., Pasífae apoia de maneira terna o Minotauro criança em seu colo.
[15]
[editar] Interpretações
A luta entre Teseu e o Minotauro foi representada com frequência na
arte grega. Um
didracma de Cnossos exibe num lado o labirinto, e no outro o Minotauro cercado por um semicírculo de pequenas bolas, provavelmente representando
estrelas; um dos nomes do monstro era
Astérion, "estrela" em grego antigo.
As ruínas do palácio de Minos, em Cnossos, foram descobertas, porém nenhum labirinto foi encontrado ali. O número enorme de aposentos, escadas e corredores do palácio fez com que alguns arqueólogos sugerissem que o próprio palácio teria sido a fonte do mito do labirinto, uma ideia que geralmente é desacreditada nos dias de hoje.
[16] Homero, descrevendo o
escudo de Aquiles, comentou que o labirinto seria um recinto para as danças cerimoniais de Ariadne.
Alguns mitólogos modernos vêem o Minotauro como uma personificação
solar, uma adaptação
minoica do
Baal-
Moloch dos
fenícios. A morte do Minotauro por Teseu, neste caso, indicaria o rompimento das relações tributárias de Atenas com a
Creta minoica.
De acordo com o estudioso
britânico A. B. Cook,
Minos e o
Minotauro são apenas duas formas diferentes do mesmo personagem, que representa o
deus-sol dos cretenses, que retratavam o sol na forma de um touro. Tanto Cook quanto o
antropólogo escocês J. G. Frazer explicaram a união de Pasífae com um touro como uma cerimônia sagrada, na qual a rainha de Cnossos se casava com um deus em forma de touro, da mesma maneira que a esposa do
Tirano em Atenas havia se casado com Dioniso. O arqueólogo
francês Edmond Pottier, que não discute a existência histórica de Minos, a partir da história de
Fálaris, considera provável que em Creta (onde pode ter existido um culto aos touros, juntamente com o do
labrys) uma forma de tortura era trancar as vítimas dentro da barriga de um
touro de bronze incandescente. A história de
Talo, o homem de
bronze cretense, que se deixava em braza e abraçava os estrangeiros assim que eles pisavam na ilha, provavelmente teria origem semelhante.
Uma explicação histórica do mito se refere ao período em que Creta era a principal potência política e cultural do mar Egeu. À medida que a cidade de Atenas (e provavelmente outras cidades gregas continentais) pagavam tributo a Creta, pode-se assumir que este tributo incluía jovens de ambos os sexos, destinados ao
sacrifício ritual. A cerimônia era executada por um sacerdote que utilizava uma máscara ou cabeça de touro, o que explicaria então o imaginário relacionado ao Minotauro. Este sacerdote também poderia ser filho de Minos.
Com a Grécia continental livre do domínio cretense, o mito do Minotauro teve como papel distanciar a incipiente consciência religiosa das
poleis helenas das crenças minoicas.
[editar] O Minotauro no Inferno de Dante
O Minotauro, a
infamia di Creti, aparece brevemente no
Inferno de
Dante, em seu canto 12, 11-15, onde, abrindo caminho entre rochedos espalhados por uma encosta, e preparando-se para entrar no Sétimo Círculo,
[18] Dante e
Virgílio, seu guia, encontraram a criatura pela primeira vez entre aqueles que foram amaldiçoados por sua natureza violenta, os "homens de sangue", embora seu nome não seja citado até o verso 25.
[19] Com a lembrança provocante, feita por Virgílio, do "
rei de Atenas", o Minotauro se ergue, enfurecido, e distrai os
centauros que guardam o
Flegetonte, "rio de sangue", permitindo assim que Virgílio e Dante passem rapidamente por eles. Esta associação pouco típica do Minotauro com os centauros, que não é feita em qualquer outra fonte clássica, é mostrada visualmente na ilustração da criatura feita por William Blake como uma espécie de centauro taurino.